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sexta-feira, 6 de março de 2009

Ensemble

Se cantam as guitarras, é deixa-las cantar!
Faça-se ouvir a alma do homem que toca,
Mostre-se a mulher que se atreve a dançar.

E se a mulher canta, o homem que a acompanhe também.
Ora seja o homem, ora seja a mulher, sejam os dois!
Façam-se ouvir, em uníssono, e mais ninguém.

Cubram-se com um manto, na sombra ou ao luar.
Façam-se mostrar na rua ou façam-se esconder,
Que se vejam um ao outro e sintam, sem pensar.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

De um Louco para tantos Outros

Somos doentes saudáveis.
Vamos (vi)vendo o mundo
De forma diferente.

Como saltimbancos que somos,
Entre a loucura e a razão,
De acto em acto, vamos saltitando,
Fazendo da vida um sonho
E não, uma ilusão.

Dizem-nos loucos,
Bruxas e vagabundos,
Filhos da loucura,
Pouco razoáveis.
Aqueles que não importam.

Brilhamos á luz do Sol,
Corremos nas ruas à noite.
Sabemos ser nossa a razão
E, dia após dia,
Ditamos a nossa sorte.



( À Sue pela inspiração, ao Ventura pela paciência, à Bárbara pelas consultas e ao Luis por tudo o que me ensinou e continua a ensinar)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

O Homem-Peixe

Metade monstro, metade esquisito
Pareço igual aos outros
E, por isso, duvidam que existo.

Piso calçadas mundanas
Antes pisadas por outros
Mas importa a alma,
E essa foge ao meu controlo

Metade esquisito
Que todos conhecem
Metade monstro
Que ninguém queira conhecer.

Não mudo por fora,
Mudo por dentro
Depois da hora,
Parto á procura.

De formas estranhas,
Escondo o Sol, mostro a Lua.
Solto gargalhadas guturais,
Desperto o medo em cada um.

Corro e voo, sem me deixar ver
Sussurro um arrepio de morte
Vossa sorte, eu não vos conhecer,
Não bater à vossa porta.

Roubo vidas e almas,
Aquelas que eu quero.
Deixo demência e ilusões,
Levo povos ao desespero.

Haja quem me leve, um dia,
Este fado que me persegue.
Vivo a metade de duas vidas,
Não vivo nenhuma por completo